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Série sobre os filmes caça-prêmios de fim de ano

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Em Brasília, Festival Internacional de Cinema (FIC), com nenhuma novidade, na comparação com as mostras de São Paulo e Rio. O bom daqui, deve mesmo entrar em circuito. E não caio fácil no lema cinéfilo de procurar sessões obscuras, só com o argumento de escolher as obras que nunca chegarão aos cinemas brasileiros. Fui nos básicos.

A começar, pelo título desse especial que terão outros posts, com minha mea culpa, por falar tão pouco de cinema, num blog especializado e pelo oportunismo de esperar a boa safra de fim de ano: Desejo e Reparação é o nome dado pelos brasileiros para Atonement, uma das grandes apostas do Oscar, a principal, segundo o L.A. Times.

Mas começo pelo filme que já está em circuito: O Assassinato de Jasse James pelo Covarde do Robert Ford. De cara, não vejo Brad Pitt como ator completo, pronto para um Leão de Ouro, como aconteceu neste ano, em Veneza. Até acho que Casey Affleck (o Robert Ford) é mais sinuoso e de estranhezas que alimentam o tom escolhido pelo diretor do filme, Andrew Dominik.

Pitt não está longe do galã, nem com barba por fazer e não consegue imprimir as sutilezas de Affleck. Mas ainda assim, temos um grande faroeste e o melhor momento da carreira dos dois atores, em filme com as inversões de valores que até já foram propostas por Clint Eastwood, desde Os Imperdoáveis, e que teve outro grande lance, com Brokeback Mountain, de Ang Lee. O Assassinato de Jasse James… está no meio desses dois fios condutores.

O Assassinato de Jasse James pelo Covard Robert Ford
Sem palavras:■■■■■■■■□□

Como se faz um gênio

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Francis Ford Coppola é uma nação, parte de um mundo particular auto-sustentável.

Veio da sua genialidade, muito da minha crença na arte. Vi nele, a possibilidade de subversão, aliada aos prazeres estéticos. Esse ítalo-americano, natural de Detroit, falou a língua da perfeição para o público mais horizontal que se imaginava, desde o ápice de sua filmografia, no início dos anos 70.

Coppola fez a trilogia do Poderoso Chefão (1972, 74 e 90) parecer familiar, mesmo para não-italianos e não-católicos, construiu um dos maiores desafios de metalinguagens, no superior A Conversação (de 1974), foi suntuoso, iconoclasta e absurdamente irônico, no alto nível de Apocalypse Now (1979). Foi indiossincrático, apesar da aproximação com Hollywood.

O cineasta é pai de Sofia, aquela que faz a festa dos independentes. Ele mesmo saiu de cena, enquanto a filha brilhava. Estava há 10 anos sem apresentar qualquer filme, desde The Rainmaker, um relativo fracasso.

No próximo fim de semana, na Itália, ele ganha as manchetes para divulgar Youth Without Youth. Seu novo trabalho terá premiere no Festival de Roma, que começa nesta quinta-feira (18). Coppola entra na festa como convidado fora da disputa por prêmios, no momento que os organizadores tentam catapultar o line up dessa competição, a quarta mais importante da Europa. Apesar das honras, ao que parece, o cineasta não atrai mais tanta atenção da crítica. Ele está completamente ausente de todas as listas prévias de premiações norte-americanas. Sua obra, bom que se diga, tem uma linha decadente, desde a virada dos anos 70 para os 80, muito provavelmente pelo alto padrão do início de sua carreira. Mas é Coppola.

O gênio melindroso concluiu Youth Without Youth há algum tempo e esperava pelocoppolapequeno.jpg programa do Festival de Roma. Trabalha agora em Tetro, com Javier Bardem, e tem passado longas temporadas em Buenos Aires, onde teve a única cópia de seu roteiro roubado.

YWY é adaptado da novela do romeno Mircea Eliade e foi filmado em Budapeste, com Tim Roth protagonizando. O primeiro teaser tem algumas imagens pasteurizadas (abaixo), um tanto tipo gelo-seco. Mas há a edição pulsante de Walter Murch, o mesmo de Apocalypse Now.

Mas é Coppola. Discrente das corporações (como do Vaticano), mas ainda propagando sua mente visionária.