
Gus Vant Sant eleva a poesia urbana do audiovisual, a cada aparição. Sinta-se cosmopolita ao ver Paranoid Park, nova ode a sua Portland natal, última obra do cineasta que melhor decifrou a geração underwear (a da cueca à mostra). Mais que isso, ele provou da cultura de rua e comprovou um rico mosaico.
Em Paranoid Park, que estréia no Brasil dia 25 e que teve exibição nos festivais do Rio e Brasília, no ano passado, provocou confusão nos jurados de Cannes 2007. Gus Van Sant foi reconhecido com o Prêmio Especial do 60º Aniversário do Festival, concedido pelo juri para “coroar toda uma carreira, mas também pelo belo filme Paranoid Park“. Não poderia ter batido 4 Meses, 3 Semanas, 2 Dias, a Palma de Ouro, no ano mais profícuo dessa mostra, na década.
O título é o nome da pista de skate mais underground de Portland, point de desejo dos adolescentes que relutam a pose de classe média, mas que realmente a moldam, no que ela tem de positivo e negativo. Um deles, personagem de Cabe Nevins, mata um segurança de estação de trens, por acidente, e perde a adolescência.
O filme é baseado na novela de mesmo nome de Blake Nelson que assume toda influência de Crime e Castigo, de Dostoievski. Mas nada pode ser mais sincero que o modo de filmar a juventude, como Van Sant tem feito.
Começa pelo despudor, um pouco na linha de Larry Clark, de Kids (ainda mais precursor), em retrato sem exageros de direção (apesar de esbarrar sempre) e com todos os excessos dos adolescentes de hoje.
Para além da etiqueta Larry Clark, Van Sant escapa das poses de boutique e tem desvendado grandes momentos do cinema, nos últimos anos, notadamente, com Paranoid e Elephant (2003). Ainda que sua carreira seja irregular, não há como negar a inspiração genuína desse cineasta, desde Drugstore Cowboy (1989), passando por My Own Private Idaho (Minha Idaho Particular, 1991), um libelo a River Phoenix e Keanu Reeves (sobretudo para o primeiro).
Paranoid prova o amadurecimento de Van Sant e abastece o cinema indi americano, tão visado pelo mainstream. Tentamos fugir, a todo custo, das amarras da indústria e com esse filme a sensação de liberdade criativa ganha fôlego.
Paranoid Park
Sem palavras:■■■■■■■■■■







