t ô n i c a

cinema e tv

Arquivo para Janeiro, 2008

O cinema particular de Gus Vant Sant

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Gus Vant Sant eleva a poesia urbana do audiovisual, a cada aparição. Sinta-se cosmopolita ao ver Paranoid Park, nova ode a sua Portland natal, última obra do cineasta que melhor decifrou a geração underwear (a da cueca à mostra). Mais que isso, ele provou da cultura de rua e comprovou um rico mosaico.
Em Paranoid Park, que estréia no Brasil dia 25 e que teve exibição nos festivais do Rio e Brasília, no ano passado, provocou confusão nos jurados de Cannes 2007. Gus Van Sant foi reconhecido com o Prêmio Especial do 60º Aniversário do Festival, concedido pelo juri para “coroar toda uma carreira, mas também pelo belo filme Paranoid Park“. Não poderia ter batido 4 Meses, 3 Semanas, 2 Dias, a Palma de Ouro, no ano mais profícuo dessa mostra, na década.

O título é o nome da pista de skate mais underground de Portland, point de desejo dos adolescentes que relutam a pose de classe média, mas que realmente a moldam, no que ela tem de positivo e negativo. Um deles, personagem de Cabe Nevins, mata um segurança de estação de trens, por acidente, e perde a adolescência.

O filme é baseado na novela de mesmo nome de Blake Nelson que assume toda influência de Crime e Castigo, de Dostoievski. Mas nada pode ser mais sincero que o modo de filmar a juventude, como Van Sant tem feito.

Começa pelo despudor, um pouco na linha de Larry Clark, de Kids (ainda mais precursor), em retrato sem exageros de direção (apesar de esbarrar sempre) e com todos os excessos dos adolescentes de hoje.

Para além da etiqueta Larry Clark, Van Sant escapa das poses de boutique e tem desvendado grandes momentos do cinema, nos últimos anos, notadamente, com Paranoid e Elephant (2003). Ainda que sua carreira seja irregular, não há como negar a inspiração genuína desse cineasta, desde Drugstore Cowboy (1989), passando por My Own Private Idaho (Minha Idaho Particular, 1991), um libelo a River Phoenix e Keanu Reeves (sobretudo para o primeiro).

Paranoid prova o amadurecimento de Van Sant e abastece o cinema indi americano, tão visado pelo mainstream. Tentamos fugir, a todo custo, das amarras da indústria e com esse filme a sensação de liberdade criativa ganha fôlego.

Paranoid Park
Sem palavras:■■■■■■■■■■

Heróis sexys e antipáticos

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Heroes volta à TV paga brasileira, na próxima sexta-feira, no Universal Channel, esbanjando saúde. Volta para uma segunda temporada com o cast em alta, no ideário popular norte-americano, no momento em que seus dois personagens mais centrais (digamos assim, sobre Peter Petrelli e Claire) dominam rankings de sexy symbols globalizados – ela no Top 25 do IMDb, no 3º posto, ele na listinha anual de 100 homens sexys da People.

Hayden Panettiere, a Claire, continua de saias justas da cheerleader que a consagrou e Milo Ventimiglia, o Peter, passa a maior parte do tempo sem camisa, nesse primeiro momento da nova temporada. Mas a razão do sucesso de ambos está na mito-fadiga de Heroes, a exaustiva exploração do mito do herói. E olha que ainda funciona.

A série, na verdade, começou o segundo ano melhor que terminou o primeiro. Nos EUA, o show caiu na audiência, mas manteve os fãs.

Isso, porque o criador resolveu poluir o drama, com aparições de novos mutantes. Tudo muito planejado e isso irrita.

Mas a série teria que avançar com os personagens que a fizeram destaque: Peter e Claire continuam populares, mas Hiro perdeu seu maior encanto, no início da temporada 2. A fraca produção do Japão medieval não ajudou e sabemos que Masi Oka tinha um perfil traçado que era o grande contraponto de Heroes.

Falta muito equilíbrio no texto e torço por menos efeitos, na contramão do gosto popular. Torço ainda pela queda do núcleo de Matt e Suresh, com a menina orfã chata que só ela. Eles são anti-Heroes.

Four Months Later – 201
Sem palavras: ■■■■■■■□□□
Típico episódio de apresentação de personagens, como se já não fossem conhecidos.

Lizards – 202
Sem palavras: ■■■■■■■■□□
Claire continua luta para salvar Heroes, com o melhor núcleo de início de temporada. E Peter aparece sem franja. Está cheio de si.

Kindred – 203
Sem palavras: ■■■■■■■□□□
Hiro no Japão feudal é mesmo um desgaste para o personagem. Claire e West, em homenagem a Superman.

The Kindness of Strangers – 204
Sem palavras: ■■■■■■□□□□
Molly quase chega a dizer “I see dead people”, na cama. Matt e Suresh conseguiram uma coadjuvante, a altura.

Fight or Flight – 205
Sem palavras: ■■■■■■■□□□
Entrada em cena de Kristen Bell. Façamos uma comparação com a Juliet, de Elizabeth Mitchell, de Lost, e a desvantagem de Heroes aumenta.

The Line – 206
Sem palavras: ■■■■■■■□□□
A segunda temporada ensaia uma melhora, com Claire em destaque. Mas Hiro apaixonado, não funciona.

Out of Time – 207
Sem palavras: ■■■■■■■□□□
Peter cresce como herói mor, sem ainda ser um personagem complexo. Romance de Claire garante audiência jovem, na salada que é Heroes.

Four Months Ago – 208
Sem palavras: ■■■■■■■■□□
Flashback aquece a série. Produção caprichada, com um detalhe importantíssimo: episódio sem Matt, Suresh e a menina chata.

Cautionary Tales – 209
Sem palavras: ■■■■■■■□□□
Claire tenta salvar o pai e Peter está próximo do perigo. Volume II perto do fim.

Truth and Consequences – 210
Sem palavras: ■■■■■■■□□□
Niki continua apagada, na segunda temporada. Pena, porque e dubiedade de seu personagem era dos pontos fortes da série. Romance com Nathan parece inevitável.

Powerless – 211
Sem palavras: ■■■■■■■■□□
Fim do Volume II, num crescendo. Achei até melhor que o fim do Volume I. Melhor realizado.