
Acho Milos Formam dos homens do cinema mais subestimado da história. Passa ao largo nas referências cinéfilas. Na lista de 100 Filmes Essenciais da revista Bravo, o seu O Estranho no Ninho (1975) só aparece na 74º e o genial Amadeus (84) é totalmente esquecido.
Mas o público lembra bem de sua filmografia, talvez porque sua grande caracterÃstica seja a de um diretor de formalidades que só faz questão de duas coisas, ao filmar: ele acredita em grandes interpretações e enredos inesperados. Estranho no Ninho, por conta disso, é o 8º filme mais bem avaliado do universo infinito do IMDb; Amadeus é 83º. E não tem como escapar da conclusão de que esse tipo de classificação mistura o estilo formal, com a superação criativa. Diz-se que o espectador procura sempre uma boa história, antes de mais nada, menos afeito a estética, cara aos estudiosos.
Mas não é só isso: a grande qualidade de Forman está ligada ao seu senso de humor. O checo circula bem nos limites do bom gosto, mesmo diante de uma tortura da inquisição católica. Seu novo filme, As Sombras de Goya, não poupa ninguém das ironias, com a Igreja em destaque.
A cinebiografia fica um grau abaixo de sua obra capital, Amadeus, mas não perde feio. Sombras de Goya tem um grande ator, tal como F. Murray Abraham, que encarnou Antônio Salieri, um antagonista que rouba a cena, na adaptação sobre o gênio da música. No filme recente, o one-man-show da vez é Javier Bardem, na, que ouso dizer, melhor interpretação do ano - sem que eu tenha visto, ainda, seu outro arrombo de 2007, em No Country for Old Men, dos irmãos Coen.
Bardem é superlativo, porque está um andar acima, na comparação com Ãdolos que buscam cineastas de respeito, na tentativa de prêmios e prestÃgio da crÃtica (nessa ordem). Em Goya, também como antagonista, o espanhol tem a fala de um monge secular e faz parecer só isso, sem qualquer sotaque moderno ou trejeitos. Simples e direto, dentro da proposta de Forman.
As Sombras de Goya (Goya’s Ghosts)
Sem palavras:â– â– â– â– â– â– â– â– â– â–¡







