
I’m Not There lembra um outro Todd Haynes, uma outra meio-biografia desse mesmo cineasta, o filme Velvet Goldmine (de 1998). Talvez por isso, não fiquei com todo esse sabor de novidade, tão decantado pelos críticos. Aqui, a edição é um grande descobrimento, segundo os estudiosos, mas as sutilezas de referências a vida e obra de Bob Dylan é que surpreendem e a veia folk-moderna de Cate Blanchett e Christian Bale merecem mesmo capa de revistas descoladas.
Todd Haynes, aliás, passa essa idéia de diretor moderninho, desses que forma o pensamento após a certeza de tendências impressas nas Bazaars da vida. Falou do glam rock no momento mais “in” dessa vertente e volta com o melhor do folk, no instante que Dylan volta às paradas americanas, com um baita sucesso de crítica do disco Modern Times.
I’m Not There traz vários episódios da vida de Dylan, entrecruzados e interpretados por atores diferentes (e até a Cate Blanchett, com toda pinta de Oscar). Todd Haynes optou pela exclusão do nome do cantor lendário, mas ele está em toda parte, e só se percebe isso, se iniciado na carreira desse também poeta.
De Dylan, lembro da fixação sindicalista de meu tio, que fez parte, com orgulho raro, da esquerda festiva brasileira, dos anos 80. Talvez a condição de política decadente impediu minha aproximação com a música do gênio norte-americano, que só agora dou o valor devido. Até queria ouvir do meu tio, o que sobrou daquela idolatria…
Agora, do filme, vejo mesmo que Haynes grifou esses episódios com visuais marcantes, muito próximo mesmo do seu Velvet. O Bob de Cate é o astro alinhadíssimo, o folk chique e dado a modernismos. O personagem de Bale está envolto a uma gravação de documentário. Julianne Moore entra aqui com depoimentos ultra-realistas. A linguagem faz uma homenagem à TV. Ainda tem a porção Carnivale, com Richard Gere, tem as partes menos lisérgicas, com Heath Ledger e o garoto Marcus Carl Franklin, enfim.
O roteiro de Todd Haynes e Oren Moverman valoriza esse painel, mas que só fala ao coração, visto por entendidos em Bob Dylan, afeitos e próximos à poesia do mestre.
I’m Not There
Sem palavras:■■■■■■■■□□







