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“Cinema de arte” pode ser sinônimo de filme bom

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A definição de “filme de Oscar” é um tanto ultrapassada e cansativa e outro tanto baseada em epopéias e adaptações literárias. Já a expressão “filme de época”, então, parece-me sinônimo de pretensão, hoje em dia. Mas ainda temos grandes cineastas que encaram esse paradóxico: o de criar, sem acertar no tom fake dos espartilhos e tamancos, da capa-e-espada e do rebuscado dos filtros de imagem.

Desejo e Reparação (Atonement), que tem estréia no Brasil programada para 15 de fevereiro e que passa no FIC de Brasília, nasce da linhagem quase enfadonha do cinema inglês, bem próxima do excesso de fleuma da filmografia de um James Ivory, no exemplo mais recente que vislumbra o chamado cinema “de arte”, outra besteira que a crítica já aboliu.

Porque sabemos que mesmo o lendário David Lean já tinha caído nas armadilhas da suntuosidade britânica. Mas sabemos também que desse cinema, o requinte foi posto à prova, com momentos do mais belo planos de filmagem e edição, como no contraste de sombra e luz de A Passagem para a Índia, dos closes mais imponentes de Peter O’Toole, em Lawrence das Arábias (pra citar obras do gênio Lean), ou mesmo nas melhores direções de atores, como no “duelo do livro”, das mais asfixiantes cenas de amor já filmadas, com Anthony Hopkins e Emma Thompson fazendo história, em Howards End (de Ivory).

Feito justiça ao arriscado cinema inglês, já terei adiantado minha leitura de Desejo e Reparação, de Joe Wright, das principais apostas do Oscar, exatamente por ser tão Lean e Ivory, no jeito de jogar pra vencer, e que tem momentos gigantes de feitura da arte, exatamente como na postura desses dois britânicos de marca maior.

O arcabolço é totalmente Oscar, pela obra ser baseada na novela de Ian McEwan, com adaptação do caríssimo Christopher Hampton, por ser “de época”, com a 2ª Guerra como pano de fundo, e com Vanessa Redgrave, em ponta.

Claro que Oscar não é sinônimo de qualidade – muito pelo contrário, o que só gera desconfiança. Só acredito em filmes que fogem a essa pretensão, mas devo admitir que o prêmio reconduz a indústria, ainda hoje, principalmente em referência ao cinema mais autoral.

De resto, Desejo e Reparação é um apelo muito melhor que o Orgulho e Preconceito, filme anterior do mesmo diretor e com a mesma atriz principal, Keira Knightley. O novo trabalho de Wright tem uma primeira parte que lembra da tensão dramática de David Lean, o que não se vê, nas cenas do front de guerra, meio Senhor dos Anéis (ou digitalizadas demais).

Mesmo com a decaída, tem-se um dos melhores momentos do cinema, em 2007. Tem-se o lado bom do cinema inglês.

Desejo e Reparação (Atonement)
Sem palavras:■■■■■■■■■□

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