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Como se faz um gênio

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Francis Ford Coppola é uma nação, parte de um mundo particular auto-sustentável.

Veio da sua genialidade, muito da minha crença na arte. Vi nele, a possibilidade de subversão, aliada aos prazeres estéticos. Esse ítalo-americano, natural de Detroit, falou a língua da perfeição para o público mais horizontal que se imaginava, desde o ápice de sua filmografia, no início dos anos 70.

Coppola fez a trilogia do Poderoso Chefão (1972, 74 e 90) parecer familiar, mesmo para não-italianos e não-católicos, construiu um dos maiores desafios de metalinguagens, no superior A Conversação (de 1974), foi suntuoso, iconoclasta e absurdamente irônico, no alto nível de Apocalypse Now (1979). Foi indiossincrático, apesar da aproximação com Hollywood.

O cineasta é pai de Sofia, aquela que faz a festa dos independentes. Ele mesmo saiu de cena, enquanto a filha brilhava. Estava há 10 anos sem apresentar qualquer filme, desde The Rainmaker, um relativo fracasso.

No próximo fim de semana, na Itália, ele ganha as manchetes para divulgar Youth Without Youth. Seu novo trabalho terá premiere no Festival de Roma, que começa nesta quinta-feira (18). Coppola entra na festa como convidado fora da disputa por prêmios, no momento que os organizadores tentam catapultar o line up dessa competição, a quarta mais importante da Europa. Apesar das honras, ao que parece, o cineasta não atrai mais tanta atenção da crítica. Ele está completamente ausente de todas as listas prévias de premiações norte-americanas. Sua obra, bom que se diga, tem uma linha decadente, desde a virada dos anos 70 para os 80, muito provavelmente pelo alto padrão do início de sua carreira. Mas é Coppola.

O gênio melindroso concluiu Youth Without Youth há algum tempo e esperava pelocoppolapequeno.jpg programa do Festival de Roma. Trabalha agora em Tetro, com Javier Bardem, e tem passado longas temporadas em Buenos Aires, onde teve a única cópia de seu roteiro roubado.

YWY é adaptado da novela do romeno Mircea Eliade e foi filmado em Budapeste, com Tim Roth protagonizando. O primeiro teaser tem algumas imagens pasteurizadas (abaixo), um tanto tipo gelo-seco. Mas há a edição pulsante de Walter Murch, o mesmo de Apocalypse Now.

Mas é Coppola. Discrente das corporações (como do Vaticano), mas ainda propagando sua mente visionária.

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