t ô n i c a
cinema e tvArquivo para Outubro 17, 2007
Como se faz um gênio

Francis Ford Coppola é uma nação, parte de um mundo particular auto-sustentável.
Veio da sua genialidade, muito da minha crença na arte. Vi nele, a possibilidade de subversão, aliada aos prazeres estéticos. Esse ítalo-americano, natural de Detroit, falou a língua da perfeição para o público mais horizontal que se imaginava, desde o ápice de sua filmografia, no início dos anos 70.
Coppola fez a trilogia do Poderoso Chefão (1972, 74 e 90) parecer familiar, mesmo para não-italianos e não-católicos, construiu um dos maiores desafios de metalinguagens, no superior A Conversação (de 1974), foi suntuoso, iconoclasta e absurdamente irônico, no alto nível de Apocalypse Now (1979). Foi indiossincrático, apesar da aproximação com Hollywood.
O cineasta é pai de Sofia, aquela que faz a festa dos independentes. Ele mesmo saiu de cena, enquanto a filha brilhava. Estava há 10 anos sem apresentar qualquer filme, desde The Rainmaker, um relativo fracasso.
No próximo fim de semana, na Itália, ele ganha as manchetes para divulgar Youth Without Youth. Seu novo trabalho terá premiere no Festival de Roma, que começa nesta quinta-feira (18). Coppola entra na festa como convidado fora da disputa por prêmios, no momento que os organizadores tentam catapultar o line up dessa competição, a quarta mais importante da Europa. Apesar das honras, ao que parece, o cineasta não atrai mais tanta atenção da crítica. Ele está completamente ausente de todas as listas prévias de premiações norte-americanas. Sua obra, bom que se diga, tem uma linha decadente, desde a virada dos anos 70 para os 80, muito provavelmente pelo alto padrão do início de sua carreira. Mas é Coppola.
O gênio melindroso concluiu Youth Without Youth há algum tempo e esperava pelo
programa do Festival de Roma. Trabalha agora em Tetro, com Javier Bardem, e tem passado longas temporadas em Buenos Aires, onde teve a única cópia de seu roteiro roubado.
YWY é adaptado da novela do romeno Mircea Eliade e foi filmado em Budapeste, com Tim Roth protagonizando. O primeiro teaser tem algumas imagens pasteurizadas (abaixo), um tanto tipo gelo-seco. Mas há a edição pulsante de Walter Murch, o mesmo de Apocalypse Now.
Mas é Coppola. Discrente das corporações (como do Vaticano), mas ainda propagando sua mente visionária.
Corrida do Oscar começou

É tempo de Oscar, ainda que estejamos a 130 dias da premiação e apesar de ser um tema um tanto cafona.
E não estou dizendo isso por falta de assunto, mas o borburinho dos bastidores já antecipa alguns assuntos para o futuro da premiação do longíquo 24 de fevereiro de 2008.
A escolha de O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias para representar o Brasil já alimentou polêmica e muitos contestam a ausência do arrasa-quarteirão Tropa de Elite. Mas não é que a opção do Ministério da Cultura está fazendo bonito, nas apostas que já correm pela net, mundo afora.
O The Film Experience já inclui a obra brasileira entre os cinco indicados ao Oscar, adiantando uma votação que ainda nem aconteceu. O nomeados ao prêmio só serão conhecidos no dia 22 de janeiro. É muita pressa e acho até mais curioso conhecer a lógica que move as escolhas desses sites que só tratam da antecipação do prêmio mais badalado.
O The Film Experience escolheu, além do “Ano…“, os representantes de Cuba (La Edad de La Peseta), França, Romênia e Rússia. Eles esqueceram do novo de Ang Lee, Lust, Caution, que concorre por Taiwan, falado em mandarim.
O site Awards Daily’s lembrou de Lee e deixou o filme do brasileiro Cao Hamburger de lado. Lá, além da obra de Taiwan, que venceu o último Festival de Veneza, os especialistas ainda apontam o favoritismo dos filmes do Canadá (Days of Darkness, de Denys Arcand), do também premiado 4 Months, 3 Weeks and 2 Days, da Romênia, do The Orphanage, da Espanha, do badaladíssimo Persepolis, da França, e do italiano The Unknown Woman.
Outro termômetro, o Movie City News, ainda está calado, em relação ao chute de quais serão os indicados a filme de língua não-inglesa. Mas todos os sites especiais dando palpites sobre o Oscar já listam os preferidos das categorias principais, com There Will be Blood, de P.T. Anderson, e Into The Wild, de Sean Penn, como os queridinhos das apostas. (Mas volto ao assunto.)
Veja a lista de concorrentes (58, ao todo)
(devidamente traduzido para o bom entendimento dos velhinhos de Los Angeles)
A Man’s Job (Finlândia)
The Andes Don’t Believe in God
Armin (Croácia)
The Art of Crying (Dinamarca)
Belles Toujours (Portugal)
Ben X (Bélgica)
Caramel (Líbano)
The Class (Estônia)
The Counterfeiters (Austria)
Days of Darkness (Canadá)
Donsol (Filipinas)
Duska (Holanda)
The Edge of Heaven (Alemanha)
4 Months, 3 Weeks and 2 Days (Romênia)
Eduarte (Grécia)
881 (Singapura)
Eklavia (Índia)
Exiled (Hong Kong)
Gone with the Woman (Noruega)
I Just Didn’t Do It (Japão)
I Served the King of England (Rep. Checa) It’s Hard to be Nice (Bôsnia)
Katyn (Polônia)
Kings (Irlanda)
Late Bloomers (Suiça)
Lovesickness (Porto Rico)
Lust, Caution (Taiwan – cena abaixo)

The Orphanage (Espanha)
Return of the Storks (Eslovênia)
Short Circuits (Eslovênia)
Santanas (Colômbia)
Secret Sunshine (Coréia do Sul)
Small Secrets (Luxemburgo)
12 (Rússia)
Taxidermia (Hungria)
The Trap (Sérvia)
The Silly Age (Cuba)
On the Wings of Dreams (Bangladesh)
Persepolis (França)
The Pope’s Toilet (Uruguai)
Postcards from Leningrad (Venezuela)
Shadows (Macedônia)
Silent Light (México)
The Unknown Woman (Itália)
Una Sombra Al Frente (Peru)
Warden of the Dead (Bulgária) XXY (Argentina)
The Year My Parents Went on Vacation (Brasil)
You The Living (Suécia)
Pos Post:
Li nesta sexta-feira que Lust, Caution, do Ang Lee, está fora da disputa de filme de língua não inglesa. Os responsáveis pela seleção, em Taiwan, afirmam que o longa não respeita a exigência de que determinados membros da equipe do filme tenham nascido no país. O número final de competidores, anunciado nesta quinta-feira, é de 63 produções, um recorde, no Oscar.







