t ô n i c a
cinema e tvArquivo para Outubro 16, 2007
Sob a tensão do cancelamento
A Kristin dos Santos do site E! Online acaba de dar seu pitaco, sobre a linha de corte das novas séries da TV norte-americana, com apenas três semanas de temporada concluídas. As bases de suas análises são boas: levam em conta audiência, movimentação dos fãs e críticos, dentre outras razões de bastidores.
Especule com Kristin:
Garantido
Gossip Girl (da foto acima)- A CW já encomendou uma temporada cheia e já se fala em nova temporada. Parece que essa é a história para os orfãos de Dawsons Creek.
Quase lá
Pushing Daisies – Favorito dos críticos, teve uma grande estréia, com 13 milhões de espectadores.
Private Practice – É o maior sucesso comercial entre as novas séries. É campeão do TiVo.
Provável pegada
Chuck – A NBC, mais preocupada que nunca, só encomendou mais três roteiros, o que é bom sinal.
Life – Também tem encomenda de três scripts.
Cane – Tem ordem da CBS para mais quatro episódios.
Reaper – A audiência não é suficiente para esse drama se segurar, mas no grupo de 18 a 49 anos, ela vai bem e a CW precisa de um show com esse perfil.
Dirty Sexy Money – Estreou com 10,5 milhões de espectadores, o que é bom para o horário das 22h. Além disso, concorre com CSI New York em pé de igualdade.
Moonlight – Tem o perfil exato para ser recheio de Ghost Whisperer e Numb3rs.
Penduradas
Bionic Woman – comercialmente está indo bem, mas há muitos rumores de bastidores e desafios orçamentários.
The Big Bang Theory – Ficaria a salvo se Dancing With The Stars não estivesse no caminho, porque se encaixou perfeitamente no bloco de comédias da CBS.
Big Shots – A boataria é grande.
Aliens in America – Tem a pior marca de segunda-feira, mas a CW não tem grandes opções para o horário.
Journeyman – A NBC pediu três roteiros, mas apesar da grande torcida, a série é pouco vista. Os fãs não aparecem.
Em risco
Carpoolers – Começou bem, com 9 milhões de espectadores, mas despencou na semana seguinte.
Back to You – A estréia desse show é das grandes frustrações da temporada. A audiência está em declínio.
Totalmente fora
Life is Wild – Audiência de 1,2 milhão de espectadores, baixo ruído, e altos custos soterram a proposta.
K – Ville – Começou com 5 milhões de espectadores. Disputa com Heroes, Dancing With The Stars
e Two and a Half Men. Tá lascado.
Cavemen – A proposta boa não conseguiu diálogo com a audiência.
É a queda do gay power?

A poderosa Glaad, uma ONG norte-americana que defende os gays, lésbicas, transgêneros e bissexuais, publicou seu conhecido estudo anual – já com 12 edições – que examina a diversidade no horário nobre da TV daquele país. O relatório deste ano (aqui) revela que o grupo GLBT tem perdido espaço.
A entidade lista os personagem que se enquadram nessa minoria e chegam ao ponto de separá-los pela raça. Na atual temporada, serão 20 atores e atrizes representando a classe, ou 1,1% de tudo que será caracterizado pela TV norte-americana. Há dez anos, eram 27, ainda que a tela tenha sido povoada de gays coadjuvantes, com parcas aparições, como as lésbicas de Friends, do famoso seriado de então. Na grade de 2006-07, era 1,3% do grosso; um ano antes, 1,4%.
A Glaad adianta ainda, os personagens que aparecerão por toda a temporada. Entre os dramas, com presença marcante em todos os episódios, o Kevin de Matthew Rhys, em Brothers and Sisters, a Caitlin de Bonnie Somerville, da ainda inédita Cashmere Mafia, ambas da ABC. Nas comédias, não há protagonistas com essas características, ainda se imaginarmos o sucesso que foi Will and Grace. Mas a ABC promete muito “bafão”, em Desperate Housewives e Ugly Betty. Na primeira, teremos um casal gay que irá circular por Wisteria Lane.
Mas as coisas continuam animadas, na TV paga, por lá. São 57 personagens dessa minoria, em toda a grade, que lista até os diferentes gostos do cast de Torchwood. E tem também a turminha The L Word que continua a alimentar as estatísticas.
A discussão é válida, para entendermos também o processo brasileiro do tal beija-não-beija. Atualmente, todo autor de novela inclui ao menos dois personagens desse nicho, com polêmica que alimenta a audiência. A sequência no horário nobre da Globo contribuiu para diminuir o preconceito, mas ainda não surgiu um grande personagem que faça valer a pena. Na novela da Record, Caminhos do Coração, os dois gays são pueris.
Sobram as atenções para o Bernadinho de Thiago Mendonça, na global Duas Caras. Ele é uma espécie de gata borralheira que terá uma relação platônica com uma mulher. Já gostei da construção do ator, em texto do chatinho Aguinaldo Silva que surpreende. A revelação de 2 Filhos de Francisco pode roubar a cena.
Pos post: reafirmando que os 20 personagens gays da conta acima, para a atual temporada, são das séries da TV aberta norte-americana; a Glaad faz contabilidade separada para as emissoras por assinatura, como a Showtime que exibe a prolífera The L Word.
Quem irá sobreviver?
O The Futon Critic listou “As 10 Coisas que Você Precisa Saber Sobre a Nova Temporada”. Leitura obrigatória para quem gosta de séries gringas e não entendem o porquê do cancelamento daquela maravilha que foi essa ou aquela produção (A queda de Studio 60 fez muitos chorarem).
A lista do Futon é sustentada por estatísticas impressionantes. Uma delas diz que de cada três novas séries, apenas uma garante a segunda temporada. Essa conta foi feita com os exatos 596 novos produtos, desde 1999. Desses, 189 tiveram vida, no segundo ano.
Das majors, a CBS apresenta melhor estatística, com 41% dos seus TV shows se sustentando até o ano seguinte. A WB, antes de virar CW, computou fracassos estrondosos. Lançou oito séries, na temporada 2005/2006, e implacou somente uma. A Fox, no ano passado e neste, fez 14 tentativas e manteve três de pé. A NBC perdeu Studio 60 e outros nove negócios, também na última rodada, o que inclui drama, comédia e realities.
O Futon também decretou a morte da sexta-feira, na TV, por lá. Desde 1999, das 89 novas séries lançadas no primetime do último dia útil da semana, apenas 16 sobreviveram, ou 18%. Enquando, na domingueira, as coisas ficam mais fácil, com 47% de contratos renovados.
Enfim, o Futon vai fundo nas equações. Fala de índice de audiência, fala que a TV é negócio e mostra os caminhos para se implacar uma série. Mas já se pode deduzir, pela irregular temporada, que a margem de corte de 66% se manterá.
Máquina de dinheiro

Transformers estréia no próximo feriado norte-americano de 4 de julho (Dia da Independência) e já se antevê explosões de recordes. E até já ganhou prêmio.
No último MTV Movie Awards, os robozinhos baseados em série dos anos 80 levaram o título de “Melhor Filme que Você Ainda Não Viu”. Os trailers são precisos, o IMDb dá classificação monstruosa (8,6 pontos), com os votos dos internautas que viram o filme, já lançado em ao menos um festival (em Taormina – Itália), o enredo tem máquinas e romance abundante, para atrair casais de gostos opostos e facilmente catalogado pela indústria do cinema.
Mas porque “não me ufano”? Tem Spielberg, na produção, dando pitaco; tem o melhor time de diretores de arte, na altura dos blockbusters; e fala de uma série cara, aos nerds dos 80.
Talvez, a preocupação esteja nas fraquezas de Michael Bay, o diretor deste e de tranqueiras como Pearl Harbor e Armageddon; na incerteza do roteiro, com gente que já escreveu Xena, aquela série que a Record exibe em suas tardes.
Prefiro esperar, na certeza que o sucesso chega de todo jeito. A porção criança domina o globo, nessas horas.
100 melhores filmes
O American Film Institute divulgou uma lista para comemorar os 10 anos da publicação da primeira relação de 100 melhores longas-metragens. O organismo tem 40 anos e tem a lista mais divulgada pela mídia, desde que o cinema completou 100 de sua primeira exibição.
O filme Cidadão Kane (1941), do diretor Orson Welles, foi apontado mais uma vez pelos críticos como o melhor filme da história (na foto acima, em cena distinta da clássica tomada de palanque). Senhor dos Anéis foi a única produção dos anos 2000 a entrar no top 50, apesar da revisão. A AFI tem outras listas interessantes e igualmente seculares, como de canções, melhores heróis e vilões, dos stars…
A lista mostra o quanto o cinema americano é importante, já que o material só aponta obras produzidas pelos Estados Unidos. E não faz feio. É uma senhora lista.
Confira a lista completa:
1. Cidadão Kane
2. O Poderoso Chefão
3. Casablanca
4. Touro Indomável
5. Cantando na Chuva
6. E o Vento Levou
7. Lawrence da Arábia
8. A Lista de Schindler
9. Um Corpo que Cai
10. O Mágico de Oz
11. Luzes da Cidade
12. Rastros de Ódio
13. Star Wars – Guerra nas Estrelas
14. Psicose
15. 2001: Uma Odisséia no Espaço
16. Crepúsculo dos Deuses
17. A Primeira Noite de um Homem
18. A General
19. Sindicato dos Ladrões
20. A Felicidade não se compra
21. Chinatown
22. Quanto mais quente melhor
23. As Vinhas da Ira
24. E.T. – O Extraterrestre
25. O Sol é para Todos
26. A Mulher Faz o Homem
27. Matar ou Morrer
28. A Malvada
29. Pacto de Sangue
30. Apocalypse Now
31. Relíquia macabra
32. O Poderoso Chefão II
33. Um Estranho no Ninho
34. Branca de Neve e os Sete Anões
35. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
36. A Ponte do Rio Kwai
37. Os Melhores Anos de Nossas Vidas
38. O Tesouro de Sierra Madre
39. Dr. Fantástico
40. A Noviça Rebelde
41. King Kong
42. Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas
43. Perdidos na Noite
44. Núpcias de Escândalo
45. Os Brutos Também Amam
46. Aconteceu Naquela Noite
47. Uma Rua Chamada Pecado
48. Janela Indiscreta
49. Intolerância
50. O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel
51. Amor, Sublime Amor
52. Taxi Driver
53. O Franco-Atirador
54. M*A*S*H
55. Intriga Internacional
56. Tubarão
57. Rocky-Um lutador
58. Em Busca de Ouro
59. Nashville
60. Diabo a quatro
61. Contrastes Humanos
62. Loucuras de Verão
63. Cabaret
64. Rede de Intrigas
65. Uma Aventura na África
66. Os Caçadores da Arca Perdida
67. Quem Tem Medo de Virginia Woolf?
68. Os Imperdoáveis
69. Tootsie
70. Laranja Mecânica
71. O Resgate do Soldado Ryan
72. Um Sonho de Liberdade
73. Butch Cassidy e Sundance Kid
74. O Silêncio dos Inocentes
75. No Calor da Noite
76. Forrest Gump – O contador de histórias
77. Todos os Homens do Presidente
78. Tempos Modernos
79. Meu Ódio Será Sua Herança
80. Se Meu Apartamento Falasse
81. Spartacus
82. Aurora
83. Titanic
84. Sem Destino
85. Uma Noite na Ópera
86. Platoon
87. Doze Homens e Uma Sentença
88. Levada da Breca
89. O Sexto Sentido
90. Ritmo Louco
91. A Escolha de Sofia
92. Os Bons Companheiros
93. Operação França
94. Pulp Fiction
95. A Última Sessão de Cinema
96. Faça a Coisa Certa
97. Blade Runner
98. A Canção da Vitória
99. Toy Story
100. Ben-Hur
Sobre o episódio final de The Tudors

O rei Henrique VIII teve cinco esposas, algo meio Big Love, num reinado sob as rédeas da cúpula católica e suas piores articulações, tal como nos porões e casas de jogos de The Sopranos. Vivia no bacanal sofisticado com os selos da HBO e do Showtime, de livre exibições. Tinha que virar série. E tinha que fazer sucesso.
The Tudors foi garantida para uma segunda temporada, com previsão de estréia em setembro, após a melhor carreira de TV paga, nos Estados Unidos, nesta temporada. O primeiro “ano” terminou em 10 de junho, com 10 episódios caprichados.
Corre por fora, na disputa dos Emmys de interpretação, para Sam Neill e/ou Maria Doyle Kennedy, o cardeal Wolsey e a rainha Catarina, respectivamente. Jonathan Rhys Meyers, que ganhou por Elvis (minissérie), no ano passado, também merece ser lembrado.
Produzida com locações na Irlanda e elenco coeso, The Tudors cresce muito com os episódios finais e surpreende no texto. Michael Hirst, o criador e roteirista de todos episódios, nem precisou atualizar a dinâmica de um clero tão autodestrutivo. Bastou contar a história, entrecruzada de sexo, conspiração e um pouco de poesia.
Hirst é historiador nato, na indústria, com advento em Elizabeth, de 1998, que fez a fama de Cate Blanchett. O diretor, Shekhar Kapur, volta a filmar texto desse roteirista, em The Golden Age, com a mesma atriz australiana, como Elizabeth I. É o momento de Michael Hirst e será um nome lembrado, no pré-Oscar.
Em The Tudors, ele deixa a trama evoluir e transforma o rei em anti-herói. O Henrique VIII de Rhys Meyers, bígamo e volúvel, é quase sempre engolido pelos personagens que induziram o monarca. O cardeal faz isso por quase toda trama e Sam Neill tornou a manipulação natural. E tem um novo colosso da TV, atriz de tarimba que ganha notoriedade com os riquíssimos enredos e produções da tela pequena. Maria Doyle Kennedy imprime verdade em mais de um momento antológico de The Tudors.
A produção de butique, às vezes atrapalha. As cenas do rei brincando de pega com Ana Bolena (Natalie Dormer), nos corredores do palácio, só constrange. Os americanos até fizeram uma brincadeira (no Youtube, aqui) com a escolha de “modelos” para encarnarem personagens reais de fisionomias mais “medievais”.
Mas é um feito notável para o Showtime, com sua maior audiência nos últimos três anos. O tema do rei casamenteiro continua atual. Continua comovente.
Críticos escolhem shows do ano

A Associação de Críticos de Televisão dos EUA (a TCA, em inglês) divulgou ontem, a lista de nomeados ao seu prêmio anual, com anúncio dos vencedores marcado para o dia 21 de julho, às véspera de sabermos quem entra no páreo do Emmy. São cerca de 200 membros e o resultado segue a linha das organizações de especialistas que premiam o cinema, às vesperas do Oscar.
Friday Night Lights, com cinco indicações, lidera a disputa de prêmios, tendo a dupla de protagonistas/quarentões, Connie Britton e Kyle Chandler (da foto acima), na lista de melhor atuação em dramas. O prêmio não discrimina sexo (sem separação entre atores e atrizes) e são apenas três homens e duas mulheres homenageados (e que deve ser vencido pela oscarizável Helen Mirren). Mas é uma categoria destoante, por este blog já ter antecipado, em post abaixo, o grande momento do casal de FNL. Já se percebia que a série teen-cabeça estaria na listinha de todo crítico.
A NBC ainda implacou outros shows, na seleta listinha: 30 Rock (4 indicações) e Heroes (2) também foram lembrados. America Ferrera (da foto abaixo), de Ugly Betty, deve ficar com todos os prêmios de interpretação, em comédia, nesta temporada e está traçada a linha de premiação até setembro.
Veja a lista completa de indicados, no site da TCA, que também trás um histórico do prêmio. Lost, venceu, na categoria drama, nas duas últimas edições. Devo chegar a conclusão que também leva a próxima, porque esta temporada se iguala à primeira. Os indicados ao Emmy serão conhecidos em 19 de julho e a premiação acontece em 16 de setembro.
A listinha de programas do ano da TCA é coesa. Veja só quem ganhou (desde que Sopranos começou a ser produzida):
1998-99 “The Sopranos” (HBO)
1999-2000 “The West Wing” (NBC)![]()
2000-01 “The Sopranos” (HBO)
2001-02 “24” (Fox)
2002-03 “American Idol” (Fox)
2003-04 “Angels In America” (HBO)
2004-05 “Desperate Housewives” (ABC)
2005-06 “Grey’s Anatomy” (ABC)
Sobre o piloto de Hidden Palms

Essas cidades são mesmo parecidas: a Beverly Hills de Barrados no Baile, a Capeside de Dawson’s Creek, a Orange County, de The O.C. e… a Palm Springs da recém-lançada Hidden Palms. Coisas dessa gente bonita que pedimos tanto pra se ter nas nossas baladas. Pois elas povoam as séries teens da TV americana.
Hidden Palms é a volta de Kevin Williamson a TV, após o fim de Dawson’s Creek e com a variação de um mesmo tema. Johnny (Taylor Handley, meio James Van Der Beek, um rosto diferente dos caucasianos médios) vê o pai se matar, no primeiro take do drama. Salto para Palm Springs e a chegada de um forasteiro que vai conquistando a vizinhança, com duas opções de garotas para os roteristas brincarem por várias temporadas. Williamson ainda importa sub-tramas de suspense, algo mais ou menos novo em séries teens, mas que ele sabe desenvolver bem, como em seus sucessos de cinema (Pânico, Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado).
A série tem tudo para emplacar, se imaginarmos que esse tipo de drama não precisa de grandes sacadas de roteiro. A garotada quer é idealizar a vida de luxo e paqueras. Williamson só faz diferente, na medida que cede espaço aos losers. Não era assim, na precursora Barrados no Baile. Em Dawson’s, a melhor dessas séries, brilhava o cara recolhido e com dilemas mais legítimos, o cara quase órfão de Joshua Jackson (daí, muito próximo do Luke Perry), o cara gay (que deu o primeiro beijo gay teen da TV), e a moreninha virando mulher (…do Tom Cruise).
Hidden Palms ainda tem a vantagem de correr sozinha, no verão norte-americana. Por Williamson, vale uma espiada.
Grande momento da TV
Lost não é uma grande invenção de cinema. Percebe-se a homogeneidade das filmagens. Mas não há dúvidas de que se tornou uma obra genuína. A mais bem escrita da TV norte-americana.
O último episódio da terceira temporada da série, com duas horas de duração (contando os intervalos), exibida dia 23, nos Estados Unidos, tem requintes de roteiro. A direção desse episódio final ficou com o sempre competente Jack Bender. Ele tinha a tarefa de editar seqüências memoráveis, da TV.
Na segunda parte dessa season finale, (“Through The Looking Glass” foi dividido em dois), o diretor tinha que equilibrar emoções, com revelações em quase todos os takes. A música de Michael Giacchino subia a toda hora. Os acordes noturnos de “Departing Sun” marcavam as lágrimas de um Mathew Fox dilacerado. Os fãs descobrem que a ilha tornou esse Jack, um homem melhor. As surpresas são de todo tamanho. Fica claro que estamos falando da psicologia do homem médio. Lost vai fundo, no interior de todos nós, em texto primoroso de Damon Lindelof e Carlton Cuse.
É o melhor final de temporada, em tempos. Ficamos com a sensação de que todas as respostas foram dadas e que, em 2008, teremos uma outra série. Sem qualquer spoiler, ainda é fácil dizer que Lost fechou de maneira impensável, tendo a ilha como resposta pra tudo. A amargura de Jack prova isso. Como disse bem um crítico americano, foi um fim de temporada que “nos deu ação, aventura, vitória, derrota, catarse, morte e, como prometido, uma grande virada na cena final. É assim que se termina uma temporada”.
Lost investiga o dilema humano do bem e do mal. Como na pergunta repetida pelo soturno Ben: sobre quem são os bandidos? Não há resposta fácil. Não é uma série que oferece tudo pronto. Acho que fazemos parte disso.
Duas coisas:
Primeiro, o jornal que Jack lê, no início do episódio. Os fãs já detectaram do que se trata. A comparação de um blog decifra a edição de 5 de abril do L.A. Times.

E veja também o promo do episódio, com legenda.







